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Arquivos do Mês: abril 2012

Lixo é problema ambiental com agravantes sociais

Lixo é problema ambiental com agravantes sociais

Qual o destino dos caminhões que coletam o lixo de nossas casas? Cerca de 76% do lixo (ou resíduos sólidos) produzido no Brasil vai para lixões, 13% para aterros controlados, 10% para aterros sanitários e apenas 1% passa por processos de compostagem, reciclagem ouincineração (Banas Ambiental, junho/2000). O processo de coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos sólidos é de responsabilidade dos municípios e transformou-se em um dos grandes problemas enfrentados por inúmeros governantes que não sabem o que fazer com tanto lixo.

Os lixões, para onde vai a maior parte do lixo doméstico, são depósitos a céu aberto, onde os resíduos, depositados de forma regular ou clandestinamente, formam verdadeiras montanhas. Além da poluição visual, do risco de contaminação do solo, de rios e águas subterrâneas - caso os resíduos alcancem o lençol freático - nos lixões proliferam parasitas causadores de doenças. Muitas pessoas, ainda, lançam seus lixos em vias públicas, rios, praias, mares, em terrenos baldios, margens de vias públicas, redes de esgoto, entre outros locais impróprios.

Os aterros sanitários são uma forma um pouco mais sofisticada de depósito desses materiais. Neles, o lixo é confinado em camadas posteriormente compactadas e cobertas por novas camadas, intercaladas por camadas de terra. Para que o aterro não provoque danos ambientais, devem ser seguidas normas específicas para a sua construção e manutenção. De modo geral, o terreno deve ser impermeabilizado, construído em uma área distante de fontes de água, depois de certificado de que não há lençol freático no local. Os aterros também possuem vida útil limitada e depois de saturado, o terreno deve ser coberto por terra e não pode ser utilizado para construções, devido à instabilidade do terreno. O ideal é destinar esses locais para áreas públicas de lazer, como praças e quadras de jogos.

A concentração populacional e o processo de industrialização trouxeram, a partir do século XX, aumento da quantidade de lixo e também mudanças na sua composição. Ao lixo, que até então era formado por restos de alimentos, cascas e sobras de vegetais e papéis, foram sendo incorporados novos materiais como vidro, plásticos, isopor, borracha, alumínios entre outros de difícil decomposição. Para se ter uma idéia, enquanto que os restos de comida deterioram-se rapidamente e o papel demora entre 3 a 6 meses para se decompor, o plástico dura mais de cem anos e o vidro cerca de 1 milhão de anos quando jogados na natureza.

O impacto desse volume de lixo no meio ambiente das cidades é grande. A quantidade de dejetos só tende a aumentar e pode ocasionar escassez e esgotamento de recursos naturais, poluição do ar, da água, do solo, além de problemas de saúde pública, devido à proliferação de parasitas e surgimento de doenças.

O crescente número de catadores, que garantem o sustento de suas famílias com a venda do que é encontrado nos depósitos de lixo, é outro desafio para muitas prefeituras. Diversos municípios tentam reverter essa situação, incorporando esses trabalhadores ao processo produtivo, criando cooperativas de catadores a partir da instalação de programas de reciclagem na cidade.

Alguns organismos governamentais e não-governamentais, nacionais e do exterior, têm se preocupado com pessoas, inclusive crianças, sobrevivendo dos lixões. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Ministério Público Federal (MPF), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano (SEDU), a Caixa Econômica Federal, a Fundação Nacional da Saúde (FUNASA), a Missão Criança e a ONG Água e Vida - Centro de Estudos de Saneamento Ambiental coordenam o Fórum Nacional Lixo & Cidadania, criado em 1998, do qual participam 40 entidades. Os objetivos são favorecer a discussão e estimular o desenvolvimento de projetos e ações para a erradicação de trabalho infantil nos lixões, possibilitar a geração de renda para as famílias dos catadores e acabar de vez com os lixões.

A organização Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado do lixo, mantida por empresas privadas de diversos setores, criou, em parceria com a Organização de Auxílio Fraterno (OAF), o kit Cooperar Reciclando Reciclar Cooperando, com o intuito de auxiliar aos que têm o interesse de viabilizar a reciclagem através do trabalho cooperado.

No Estado de São Paulo, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) elabora, desde 1997, o Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares. O mais recente é o de 2000, com informações sobre as condições ambientais quanto à destinação final dos resíduos sólidos naquele ano.

Foram inspecionadas todas as instalações de despejo de lixo do Estado de São Paulo e aplicado um formulário padronizado, com informações sobre as principais características dos locais de cada instalação. Além de dados comparativos com os anos anteriores, o Inventário identificou 3686 catadores no Estado, dos quais 448 são crianças, número maior que no ano anterior, que era de 2916 catadores.

Dos 645 municípios de São Paulo, a CETESB localizou 611 instalações de destinação final do lixo, sendo 587 aterros ou lixões e 24 usinas de compostagem. Um dado positivo levantado pelo Inventário é que diversas cidades estão se unindo para resolver o problema da destinação do lixo de forma regional. Foram localizadas 48 cidades que estão reunidas para o depósito dos resíduos em aterros sanitários, localizados em 19 municípios. Além disso, foram encontrados 9 municípios que criaram, em conjunto, três usinas de compostagem.

Três medidas urgentes para diminuir a quantidade de lixo e o impacto dos resíduos no meio ambiente são a coleta seletiva, a reciclagem de materiais e a compostagem - que devem ser realizados de forma integrada, dentro de um programa contínuo, com apoio do poder público municipal, de empresas e conscientização da população. De acordo com pesquisa realizada pelo CEMPRE, 135 municípios brasileiros realizam programas de coleta seletiva, sendo que a maior concentração destes está nas regiões sudeste e sul do país.

Materiais como papel, lata de alumínio, vidro, plástico e garrafa PET podem ser retornados à empresa produtora, reciclados e incorporados novamente ao produto ou ainda podem dar origem a novos materiais. Para isso, é necessário um trabalho de que participam diversos setores da sociedade. Apesar dos custos de implantação de um programa de coleta seletiva serem cerca de oito vezes maiores que o custo da coleta convencional - de acordo com pesquisa realizada pelo CEMPRE em 18 cidades - os benefícios ambientais, sociais e mesmo políticos de programas de reciclagem são enormes. Além de reduzir o volume dos aterros sanitários e lixões, diminui também a poluição ambiental, o gasto de energia e o esgotamento de recursos naturais. Pode, inclusive, gerar renda para catadores, possibilitando-lhes melhores condições de vida e maior integração à sociedade.

O envolvimento de indústrias pode, também, viabilizar economicamente o programa de reciclagem. Alguns materiais reciclados podem retornar para as empresas com diminuição nos custos de produção, o que, além de evitar o desperdício de matéria-prima, contribui para uma imagem positiva da empresa diante do consumidor.

No dia 05 de março passado, o deputado federal pelo PPS de São Paulo, Emerson Kapaz, apresentou a segunda versão do Relatório Preliminar da Política Nacional de Resíduos Sólidos à Comissão Especial de Resíduos Sólidos da Câmara Federal, em Brasília, após a realização de diversas audiências públicas em várias regiões do país. Caso seja aprovada, a Política Nacional de Resíduos Sólidos deverá ser implementada pelos governos federal, estadual e municipal. Esse Relatório classifica os resíduos sólidos em: resíduos urbanos (lixos de residências e de limpeza pública em geral) e resíduos especiais, divididos em: resíduos industriais, resíduos de lodo de esgoto, resíduos minerais (oriundos do extrativismo mineral e da recuperação de solos e áreas contaminadas), resíduos de serviços de saúde (incluindo restos de material proveniente do atendimento de saúde às populações humana ou animal, centros de pesquisa, desenvolvimento ou experimentação na área de farmacologia e saúde, bem como os medicamentos vencidos ou deteriorados), resíduos de atividades rurais, resíduos de serviços de transporte (provenientes de portos, aeroportos, terminais rodoviários, ferroviários e portuários e postos de fronteira), rejeitos radioativos, entulhos, oriundos das atividades da construção civil em geral, resíduos de serviços (provenientes de atividades comerciais e serviços), resíduos tecnológicos (provenientes da indústria da informática, eletro-eletrônicos, automotiva, de comunicação, entre outros) resíduos da indústria bélica, resíduos de embalagem e resíduos perigosos.

Os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos são: estabelecer um melhor gerenciamento dos resíduos sólidos, reduzir a quantidade e a nocividade dos resíduos sólidos; eliminar os prejuízos à saúde pública e à qualidade do meio ambiente causados pela geração de resíduos; formar uma consciência comunitária sobre a importância da opção pelo consumo de produtos e serviços que não afrontem o meio ambiente e com menor geração de resíduos sólidos e de seu adequado manejo; além de gerar benefícios sociais e econômicos aos municípios que se dispuserem a licenciar, em seus territórios, instalações que atendam aos programas de tratamento e disposição final de resíduos industriais, minerais, radioativos, de serviços e tecnológicos.

O gerenciamento dos resíduos sólidos passa, indiscutivelmente, pela conscientização da população em relação aos padrões de consumo, da importância da reutilização de diversos materiais e da prática da coleta seletiva. A educação ambiental deve estar presente e em consonância com as políticas públicas de redução e destinação do lixo.

Belíssimo texto extraído do portal: http://www.comciencia.br/reportagens/cidades/cid10.htm

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Inventor faz resina antiferrugem com óleo de cozinha e lucra em PE

Nós apoiamos as pequenas atitudes:

A ideia fixa de criar um produto sustentável e ao mesmo tempo lucrativo motivou o empreendedor pernambucano Luiz Cláudio Lima, 51, a pesquisar e testar o óleo de cozinha usado durante dez anos. A experiência resultou na invenção de uma resina antiferrugem para carros e na abertura da empresa Redlub, que fabrica e vende o produto.

O negócio que começou rendendo cerca de um salário mínimo hoje emprega quatro funcionários e fatura R$ 18 mil por mês. Mesmo assim, Lima ainda precisa dividir seu tempo entre a produção e a administração do negócio. Por dia, a Redlub produz cem litros da resina antiferrugem.

O produto desenvolvido pelo empresário é específico para o uso em automóveis. O antiferrugem é uma espécie de resina que atua contra a corrosão das partes de ferro. Ela é aplicada por meio de uma pistola de ar comprimido ou pincel diretamente nos chassis ou em outras peças do carro para evitar o desgaste e a oxidação.

O custo de produção da microempresa é reduzido. A principal matéria-prima, o óleo de cozinha usado, vem de coletas em restaurantes, hospitais, hotéis e outros estabelecimentos. Ao todo, são recolhidas cerca de 18 toneladas por mês do material, em aproximadamente 600 fornecedores nos Estados de Pernambuco e Alagoas.

Sem reciclagem, óleo iria para a rede de esgoto.

O óleo de cozinha coletado em hotéis e restaurantes é reciclado

Segundo Lima, sem a reciclagem, o óleo de cozinha poderia ser despejado de forma inadequada e ir para redes de esgoto, poluindo a água e o solo. "As pessoas e as empresas precisam dar um destino correto ao óleo vegetal usado sem agredir o meio ambiente. Isso vai garantir uma qualidade de vida melhor para nossos netos e bisnetos no futuro", afirma.

De olho em novas oportunidades, o empreendedor relata que em Pernambuco há uma campanha da empresa de saneamento básico para que todas as casas tenham caixa de gordura instaladas.

Para aumentar sua rentabilidade, a partir de maio, Lima começará a oferecer o serviço de limpeza e desentupimento destas caixas na capital Recife e região metropolitana. "Vou aumentar a coleta de óleo e ainda ter a oportunidade de falar pessoalmente para as pessoas sobre a importância da reciclagem.”

Além disso, o empresário já tem planos de transformar a água suja vinda das pias e dos ralos, que fica retida nas caixas de gordura, em gás veicular ou até mesmo em ração animal. "Ainda vou começar a pesquisar qual a melhor forma de reciclar este resíduo. Já me falaram que vai ser difícil, mas nada é difícil para mim."

Preocupação com meio ambiente motivou abertura do negócio

A Redlub produz cem litros por dia do antiferrugem, o Red Ruste.

A ideia de reciclar o óleo de cozinha surgiu em 1998, quando Lima era encarregado da manutenção em um shopping na cidade de Paulista (PE). Uma de suas tarefas era, ao final do expediente, descartar o óleo vegetal usado para fritar os alimentos. Como não havia coleta seletiva na época, todo o resíduo ia parar na rede de esgoto.

Como o pai costumava utilizar óleo de cozinha na parte de baixo do carro para combater a oxidação das partes de ferro, o empresário pensou que poderia criar um antiferrugem reutilizando o material que seria descartado.

A partir daí, ele iniciou as pesquisas e a fase de testes laboratoriais, contando com a ajuda do SEBRAE, serviço de apoio à micro e pequena empresa, e do Itep (Instituto de Tecnologia de Pernambuco).

Em 2002, com o produto comprovado, Lima conseguiu investimento para fazer um teste piloto e dar início às suas atividades. Foi um período difícil, a capacidade de produção era de apenas 200 litros por mês e o faturamento era pouco mais de um salário mínimo.

Somente em 2008, depois de ganhar mercado, o empreendedor teve condições de formalizar o negócio. "Todo o processo foi inventado por mim e feito com o que tinha em casa e no ferro velho. Hoje, já adquirimos motores, bombas, equipamento de laboratório, tanques e até veículos", diz.

Conscientização ajudou empresa a crescer

Lima atribui o crescimento da empresa à conscientização das pessoas em não despejar na pia o óleo vegetal usado para fritar alimentos. Além disso, as campanhas do governo que incentivam o descarte correto do material também o ajudaram.

Em Pernambuco, uma lei sancionada em setembro de 2011 obriga estabelecimentos comerciais, condomínios residenciais e indústrias que utilizam óleo de cozinha a instalar recipientes para coleta do resíduo e encaminhá-lo para a reciclagem.

Matéria extraída de http://economia.uol.com.br

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Cálculos mostram que Hora do Planeta não passa de marquetagem barata

Realmente é isso o que pensamos sobre a Hora do Planeta. O Planeta Terra precisa de atitudes diárias....

Todo ano, no final de março, a ONG WWF promove a Hora do Planeta, um evento para tentar conscientizar a população sobre a importância de poupar energia. Durante uma hora, das 20:30 às 21:30, o grupo pede que as pessoas conscientes desliguem as luzes de casa.

A causa é nobre, mas atos simbólicos não costumam ter resultados concretos além dos ganhos de imagem muito fugidios para as ONGs que os promovem. Lembram do “xixi no banho” de há três anos? Lembram quem promoveu? Eu precisei checar. Você passou a economizar água depois de achar pitoresca a proposta? Pois é, eu também não.

Você pode muito bem apagar a luz de casa por uma hora no sábado e passar o verão inteiro com o ar condicionado ligado quando está fora, para garantir seu conforto ao voltar. Pode apagar a luz de casa depois de girar a chave no seu utilitário beberrão para comprar pão a duas quadras de casa.

É uma marquetagem barata, porque tem custo muito baixo para quem dela participa. Não é para menos que prefeituras do Brasil inteiro, ainda mais em ano eleitoral, aderem à iniciativa. São Paulo é a adesão mais vistosa das 102 anunciadas pelo grupo. Aqui, o Mercado Municipal deve ficar no escuro, ainda que os insolúveis congestionamentos da cidade deem cada vez mais prejuízo – queimando carbono até dizer chega, para manter o foco ambiental. Uma reportagem de Alencar Izidoro, publicada no ano passado pela Folha, dá uma medida disso: José Roberto Augusto de Campos, professor de engenharia de motores do Instituto Mauá de Tecnologia, fez um cálculo que dá ideia desse prejuízo. Cada hora de motor ligado, no ponto morto, significa gasto de 1,65 litro de gasolina ou 2,1 litros de álcool.

Assim, quem percorre o corredor das avenidas Adolfo Pinheiro, Santo Amaro e São Gabriel no pico da tarde, por exemplo, gasta cerca de R$ 400 por ano apenas para deixar o carro ligado no trânsito.

Como a marquetagem barata não torna a causa menos nobre, seguem algumas dicas de como economizar tanta (ou mais) energia recorrendo ao diabo dos números.

1. Pegue sua última conta de luz e veja quantos kWh gastou no mês. Em São Paulo, é considerado baixo o consumo de menos de 220 kWh por mês. O meu deu 260 kWh.

O que é essa medida, o quilowatt-hora? Ela representa a soma da energia gasta pelos seus aparelhos domésticos durante o tempo em que estiveram ligados.

Uma lâmpada de 60 watts, acesa durante uma hora, consome 0,06 kWh. Se ficar acesa durante mil horas, ela consume 60 kWh.

2. Alguns aparelhos da sua casa, como a geladeira, ficam ligados o dia inteiro. Outros, como as lâmpadas, provavelmente só por algumas horas do dia. Mas digamos que o consumo de energia se concentre todo em 10 horas por dia, levando em conta os 31 dias do mês de março. A faixa de horário escolhida pela ONG é uma de alto consumo.

Para saber quantos quilowatts você gasta por hora, em média, divida seu consumo por 31 e depois por 10.

Sua economia na Hora do Planeta = (consumo / 31) / 10

Eu, se participasse e desligasse até a geladeira, economizaria em média 0,83 quilowatts. Parece pouco, mas somado aos seus 0,7 e aos 1,0 do vizinho acabam virando bastante coisa. Mas a que isso se compara no dia-a-dia?

3. Uma maneira é olhar o consumo de eletrodomésticos. A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) colocou em seu site, há algum tempo, uma tabela de consumo médio de diferentes equipamentos.

Segundo ela, os 0.8 kWh que eu poupo desligando tudo em casa por uma hora equivalem a menos de uma hora de ar condicionado – um aparelho que eu não faço questão de ter em casa, economizando assim uma quantidade bem razoável de kWh no verão.

4. Seu carro não é ligado na corrente elétrica, mas o escapamento emite mais gás carbônico do que a tomada. Na Europa e nos EUA, onde a energia elétrica é de origem térmica, acender a luz é emitir carbono indiretamente. No Brasil, onde a maior parte da energia é hidroelétrica, isso é bem menor.

Como comparar o consumo do seu carro ao de energia elétrica? Convertendo tanto os gastos de energia do combustível quanto os gastos de energia da luz para outra unidade, o joule. Calcular isso à mão é complicado. Por isso uso um conversor como este. Um kWh, segundo ele, equivale a 3600 quilojoules. Ou 3,6 milhões de joules.

Segundo o HowStuffWorks, um galão de gasolina (3,75l) tem 132 mil quilojoules. Portanto, um litro de gasolina tem 35,2 mil quilojoules. Ou quase o equivalente a 10 kWh. Ficar uma hora no engarrafamento, segundo o engenheiro entrevistado pelo Alencar, gasta 1,65 litro de gasolina, ou 58 mil quilojoules.

Convertendo uma hora de engarrafamento em energia elétrica, o desperdício seria equivalente a 13,3 kWh – ou o que eu gastaria em mais de dezesseis horas de consumo médio. Ou seja: deixar o carro em casa por um dia só poupa ao planeta o equivalente a anos e anos de sua participação nessas iniciativas marqueteiras simbólicas.

Você pode argumentar que o dia mundial sem carro é só em 22 de setembro. Mas essa é outra iniciativa marqueteira. O que realmente faz a diferença são os hábitos. Fazer pequenas mudanças neles é muito mais eficaz e não tem dia marcado. Desligar a luz por uma hora, ficando em paz com sua consciência planetária, para depois pegar seu carro ou ligar o ar condicionado, é mais ou menos o mesmo que pensar que um cheeseburger é um alimento balanceado porque tem carne, laticínios, farináceos e salada.

(Por Marcelo Soares, O Diabo dos Números, 30/03/2012)

Belíssimo texto extraido do site  http://ambienteja.info/ver_cliente.asp?id=175656