Saiba qual é o segredo da Suécia para reaproveitar 99% do lixo

Mesmo que hoje a Suécia seja uma referência internacional em manejo dos resíduos, nem sempre foi assim.

Enquanto no Brasil mais da metade dos municípios não têm sequer aterros sanitários, na Suécia praticamente todo o lixo produzido tem uma destinação correta e o mais importante: valor comercial. Atualmente 99% dos resíduos produzidos pelos suecos é reaproveitado, o 1% que sobra vai para aterros sanitários.

Mesmo que hoje a Suécia seja uma referência internacional em manejo dos resíduos, nem sempre foi assim. Até a década de 70, o país era como mais da metade do mundo, com o lixo simplesmente enviado aos aterros, permanecendo durante centenas de anos liberando toxinas no solo e gases poluentes no ar. Em 1975, apenas 38% dos resíduos suecos eram reciclados.

A mudança começou nesta época, quando o país ganhou legislações mais duras e novos projetos industriais. Hoje, o grande segredo para tanta eficiência são as usinas de bioenergia, conhecidas como Waste-To-Energy (WTE), mas, o processo só é eficiente graças à participação e cuidado da própria população e dos empresários, responsáveis por separar os resíduos e dar a eles a destinação correta.

De acordo com o site Global Citizen, dos 4,4 milhões de toneladas de lixo doméstico produzidas na Suécia, 2,2 milhões são transformados em energia. As usinas recebem o lixo e queimam esses resíduos para gerar vapor, que é usado para girar turbinas e produzir energia elétrica. O processo gera calor, eletricidade, biogás e biofertilizante.

Assim como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que ainda não é totalmente colocada em prática no Brasil, as empresas suecas são responsáveis pela logística reversa dos resíduos gerados por seus produtos. São os empresários também que arcam com os custos da manipulação desse lixo, bem como a reciclagem ou eliminação dos materiais.

O governo sueco tem planos de melhorar ainda mais o sistema, para que, em 2020 o país não envie mais nada aos aterros sanitários. A eficiência atual já é tão grande, que as usinas chegam a importar 800 mil toneladas de resíduos dos países vizinhos para garantir a produção de energia.

O processo usado nas WTE não é totalmente limpo, pois acaba gerando gases poluentes, mesmo que em quantidades menores do que em lixões. Mas, novas tecnologias estão em desenvolvimento constante para torná-lo ainda mais sustentável.

Redação CicloVivoLixo reciclado

Tóquio pode ter medalhas olímpicas feitas de lixo eletrônico

O Japão é um dos principais consumidores de equipamentos eletrônicos do mundo e cada aparelho possui metais preciosos.

Os jogos olímpicos do Rio acabaram e agora foi dada oficialmente a largada para o preparo da próxima olimpíada, a ser realizada em Tóquio, em 2020. Entre os desafios dos japoneses está a missão de reduzir os impactos ambientais do evento esportivo. Para isso, um dos planos é produzir as medalhas olímpicas a parte de resíduos eletrônicos reciclados.

A ideia surgiu a partir da preocupação ambiental, mas principalmente porque o Japão quase não produz metais preciosos. Por outro lado, a nação é uma das principais consumidoras de equipamentos eletrônicos do mundo e cada um desses aparelhos possui um pouquinho de ouro e outros metais importantes em sua composição.

O desafio

Para se ter ideia do tamanho do desafio, em Londres, por exemplo, os ingleses gastaram 9,6 kg de ouro, 1.210 kg de prata e 700 kg de cobre para fabricar as medalhas entregues aos atletas na olimpíada e paralimpíada de 2012. A quantidade de ouro é menor porque as medalhas de ouro possuem apenas 1,2% deste metal em sua composição. A base é feita, principalmente de prata. No Rio de Janeiro foram entregues 5.130 medalhas e a expectativa é de que em Tóquio o número seja ainda maior.

A proposta

Para dar conta disso tudo, os organizadores dos jogos propuseram ao Comitê Olímpico Internacional usar os metais retirados dos resíduos eletrônicos para fabricar as medalhas. A oferta ainda não foi aceita, mas a estratégia ajudaria a resolver dois problemas de uma só vez: a falta de novos recursos e a conscientização sobre a reciclagem de eletrônicos, que ainda é baixa entre os japoneses, mesmo que eles sejam acostumados a separar e destinar adequadamente seu lixo.

Os entraves

A cada ano o Japão tem 650 mil toneladas de lixo eletrônico descartado, mas, conforme informado pela imprensa local, apenas 100 mil toneladas são recicladas. A meta dos municípios, conforme determinação do Ministério do Meio Ambiente, era recolher um quilo de pequenos eletrônicos por habitante, mas a média tem sido de apenas cem gramas.

Outro problema é que por faltar recursos, as próprias empresas de eletrônicos reaproveitam praticamente todo o metal retirado dos eletrônicos que têm a destinação correta.

Independente do setor empresarial, as autoridades japonesas esperam conseguir a liberação para seguir adiante com o projeto como forme de mobilizar a população por esta causa e ter benefícios sentidos em longo prazo. Este seria um verdadeiro legado olímpico deixado para a história do Japão.

Redação CicloVivo

camiseta feita de pet

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Em apenas 4 anos, casal transforma quintal em mini-fazenda urbana

Pós uma grave crise econômica, o casal Mike Hoang e Kim Willis se viu praticamente obrigados a se reinventarem. Eles saíram de uma grande cidade e se mudaram para a pequena Kalamzoo, cidadezinha que também passava por dificuldades econômicas. Com um quintal inutilizado e curiosidade sobre a permacultura, eles decidiram começar a plantar uma hortinha. Quatro anos depois eles até se assustam com o tamanho da produção obtida no próprio quintal.

Segundo eles, tudo começou com o conselho do professor de permacultura Bill Molison, baseado no pensamento do “pai” desde conceito, o australiano, Geoff Lawton, que diz: “O melhor lugar para começar é ao seu redor”. E foi assim que eles começaram um pequeno canteiro no jardim da residência.

Um dos princípios da permacultura é mesclar diversos tipos de plantio no mesmo lugar. Essa mistura garantirá o crescimento das plantas de forma eficiente e praticamente sem nenhuma manutenção. Em depoimento  sobre isso, Mike explicou que a primeira cama de plantio deles contou com uma árvore frutífera, algumas ervas e frutas, tudo dentro do modelo descrito por Bill Mollison em uma vídeo-aula.

O casal logo percebeu que expandir a plantação demandava planejamento, principalmente porque eles queriam ter uma estrutura permanente. Por isso, eles se dedicaram intensivamente ao aprendizado da permacultura. Plantios realizados dentro desse formato se diferem dos jardins ou cultivos tradicionais por se manterem praticamente sozinho. Depois de estabelecida, a policultura descarta a manutenção anual e reconstrução, para eles, é como se tudo andasse no piloto-automático.

Além da escolha das diferentes espécies plantadas, o casal se preocupou com um sistema natural de irrigação, com valas e caminhos para a água passar entre a vegetação. Eles também construíram cisternas para captar a água da chuva e reaproveita-la no abastecimento do plantio.

Com os fundamentos aprendidos e colocados em prática, ficou muito mais fácil expandir. O projeto foi crescendo a cada ano e o que antes era apenas um gramado sem vida, hoje é uma área que produz frutas, vegetais, ervas e atrai diferentes espécies da fauna local. “Nós vamos ao nosso quintal e vemos a nossa comida, nossas flores, nossos remédios e um lugar que nunca deixa de nos fazer felizes”, declara Mike em seu depoimento.

Segundo eles, o tempo gasto na manutenção do sistema é muito menor do que a demanda dos tradicionais, já que se concentra, basicamente na colheita dos alimentos. Além disso, o casal garante estar economizando dinheiro e comendo muito melhor, o que se reflete diretamente na saúde de ambos.antes e depois

Mexicanos transformam lixo plástico em casas de baixo custo

Buscando resolver dois grandes problemas das metrópoles: a falta de moradia e a destinação incorreta do lixo plástico, uma dupla do México desenvolveu um método para construção de casas utilizando resíduos plásticos.

São usados materiais plásticos que há em abundância pelas ruas: garrafas vazias e brinquedos descartados. A matéria-prima é derretida para formar grandes painéis, que são usadas como paredes e tetos.

Usando 80 painéis, cada residência possui 40 metros quadrados, sendo dividida em dois quartos, um banheiro, uma sala de estar e uma cozinha. Em cada uma delas são usados cerca de dois mil quilos de lixo processado.

Os empreendedores Carlos Daniel Gonzalez e Nataniel são os responsáveis pela startup EcoDomum em Puebla (México), que pode alterar o modo pelo qual as pessoas fazem suas residências. Segundo eles, o material fabricado é durável e resistente. O resultado é uma casa com isolamento acústico e térmico e que ainda resiste às intempéries climáticas.

Uma quantidade incalculável de plástico vai parar nos oceanos (animais marinhos são mortos pela ingestão) e aterros. O pior é que este tipo de material demora cerca de mil anos para se decompor, logo todas as soluções que visem minimizar seu impacto são muito bem vindas.

Redação CicloVivocasabotella

Máquina de reciclagem troca 72 latinhas por uma passagem de ônibus em SP

A start-up de soluções sustentáveis Triciclo é dona da Retorna Machine, máquina que recolhe garrafas PET e latinhas de alumínio para reciclagem e, em troca, dá créditos para serem usados na conta de luz ou no Bilhete Único.

Em menos de um ano, as 17 máquinas espalhadas por São Paulo já coletaram mais de 300 mil embalagens, totalizando cerca de quatro toneladas de garrafas PET e aproximadamente duas toneladas de alumínio. Com isso, mais de R$ 6.000 foram revertidos em bônus nas contas da AES Eletropaulo e na recarga do cartão de transporte público.

As máquinas estão instaladas em estações do metrô (Pinheiros, Faria Lima e Sé), em supermercados e em alguns prédios e estabelecimentos comerciais.

“O negócio funciona como um programa de fidelidade. O usuário se cadastra na própria máquina, no site ou no aplicativo e acumula pontos”, diz o sócio Felipe Lagrotta Nassar Cury, 26.

72 latinhas ou 109 garrafas por uma passagem

Cada garrafa PET (de qualquer tamanho) vale 10 pontos, e cada latinha vale 15. A cada 100 pontos, o usuário ganha R$ 0,35 centavos de crédito no Bilhete Único ou R$ 0,27 na conta de luz. Ou seja, para ganhar o valor correspondente a uma passagem de metrô ou ônibus, que custa R$ 3,80, é necessário acumular cerca de 1.085 pontos, o que dá 72 latinhas ou 109 garrafas PET.

Há um limite diário para o acúmulo de créditos, de até dez embalagens por usuário. “Fizemos isso para evitar que uma única pessoa usasse toda a capacidade da máquina. O que for colocado acima do limite é convertido em crédito para ONGs [organizações não-governamentais]. Assim, damos mais um benefício social.”

Os créditos são bancados pela venda das embalagens usadas para empresas privadas de reciclagem ou cooperativas. O faturamento, que não foi divulgado, vem da venda de ações de marketing para empresas, como o Carrefour e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

No caso do Carrefour, a máquina coleta embalagens de desodorante aerossol e dá voucher de 30% de desconto em um desodorante da Unilever. Com a CBF, fizeram uma ação pontual para promover um campeonato nas regiões Norte e Nordeste. A cada três resíduos depositados, a pessoa ganhava um ingresso para as partidas.

Quer coletar outros materiais e crescer

A Retorna Machine pode coletar outros tipos de material, como as embalagens aerossol e até garrafas de vidro. Porém, há o risco de quebrar o vidro, por isso, a empresa está investindo no desenvolvimento de uma solução específica.

A meta é ampliar a presença das máquinas na região metropolitana de São Paulo, antes de ir para outros Estados, e também diversificar os materiais coletados.

“Também podemos coletar embalagens cartonadas, como caixas de leite ou suco. A ideia é instalar compactadores nas máquinas para potencializar a coleta. Não fizemos isso no começo por medo de vandalismo. Se alguém colocasse uma pedra, por exemplo, poderia danificar. Mas não tivemos nenhum caso até agora”, afirma o sócio.

Ele diz que é possível controlar remotamente e em tempo real a capacidade de armazenamento da máquina, o que ajuda a programar as coletas. São recolhidos, em média, oito quilos de material a cada esvaziamento, cerca de 750 unidades de embalagens mistas, segundo Cury.

A frequência da retirada depende do ponto. Na estação da Sé, por exemplo, o ponto de coleta mais movimentado, é feita duas vezes ao dia. Em prédios comerciais, com menor fluxo de pessoas, o material é recolhido a cada três dias.

A primeira máquina foi inaugurada em setembro de 2015. O negócio levou cerca de nove meses para tomar forma e foi inspirado em soluções similares do exterior. “Na Europa e na Ásia, há muito subsídio do governo para isso. Aqui, precisamos adaptar para ser atraente para empresas privadas e para o cliente final”, diz o empresário.

Retorno para o usuário é pequeno

Para Vinck de Bragança, gerente da ABStartups (Associação Brasileira de Start-ups), a proposta de negócio da empresa é boa, porém, ela acredita que deveriam investir mais na educação do público sobre a importância da reciclagem.

“O retorno financeiro é baixo para o usuário. Não é prático carregar recicláveis todos os dias, que são volumosos, para depositar na máquina. O bônus é um pequeno incentivo, o principal ganho é o benefício ambiental, e isso deve ficar claro para as pessoas”, afirma.

Ela também considera o modelo de negócio difícil, pois as empresas que investem em ações de marketing relacionadas à sustentabilidade não são maioria. “Em geral, são empresas que têm verba de marketing grande, ou seja, de companhias de grande porte. Ainda assim, não é a principal utilização dessa verba”, declara.

Onde encontrar:

Triciclo: www.triciclo.eco.brmaquina de reciclagem